Nirsevimabe passa a ser oferecido pelo SUS para crianças prematuras e com comorbidades, reforçando a prevenção contra o vírus sincicial respiratório e reduzindo o risco de internações e complicações respiratórias graves na primeira infância
A Prefeitura de Divinópolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), informa à população que o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a contar com uma nova e importante forma de proteção para bebês e crianças pequenas contra o vírus sincicial respiratório, conhecido pela sigla VSR, que é o principal causador de bronquiolite e de parte expressiva das pneumonias na primeira infância. Trata-se do anticorpo monoclonal chamado nirsevimabe que já está disponível para atender crianças que apresentam maior risco de desenvolver quadros graves da doença.
O vírus sincicial respiratório é hoje a principal causa de infecção do sistema respiratório em crianças menores de dois anos de idade. Ele responde por cerca de 75% dos casos de bronquiolite que é uma inflamação dos brônquios que dificulta a respiração e por aproximadamente 40% das pneumonias que surgem nos períodos em que o vírus circula com mais intensidade. Por isso, ele representa um desafio importante para a saúde pública e para as famílias que convivem com bebês e crianças pequenas.
Para enfrentar esse risco, o município passa a utilizar duas tecnologias de proteção. A primeira é a vacina contra o VSR aplicada em gestantes a partir de 28 semanas de gravidez. Essa vacina ajuda a mãe a produzir defesas que são passadas ao bebê ainda durante a gestação, protegendo a criança nos primeiros meses de vida. A segunda tecnologia é o nirsevimabe que é um anticorpo monoclonal. Um anticorpo é uma substância que o próprio corpo humano produz quando entra em contato com um vírus ou bactéria para se defender. No caso do nirsevimabe, esse anticorpo já vem pronto, produzido em laboratório, e é aplicado diretamente na criança para oferecer proteção imediata. A diferença em relação a uma vacina comum é que a vacina ensina o corpo a fabricar suas próprias defesas ao longo do tempo, enquanto o anticorpo já entrega a proteção pronta, agindo de forma mais rápida e direta.
Público alvo e critérios
O uso desse anticorpo foi aprovado para crianças que nascem prematuras, ou seja, antes de completar 37 semanas de gestação, especificamente aquelas com até 36 semanas e 06 dias, com ou sem outras doenças associadas, e também para crianças com menos de 24 meses de idade que tenham alguma condição de saúde que aumente o risco de complicações. Entre essas condições estão a cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica que são problemas no coração que afetam a circulação do sangue, a doença pulmonar crônica da prematuridade que é uma sequela pulmonar comum em bebês que nasceram muito antes do tempo, a imunodeficiência grave que é quando o sistema de defesa do corpo não funciona adequadamente, a fibrose cística que é uma doença genética que afeta os pulmões, as doenças neuromusculares graves que comprometem a respiração, a síndrome de Down e também as anomalias congênitas das vias aéreas e outras doenças pulmonares graves.
Para solicitar o nirsevimabe, a família pode procurar qualquer unidade de saúde de Divinópolis. A equipe fará o encaminhamento para o Centro de Referência em Imunobiológicos Especiais (CRIE), que funciona na Rua São Paulo, número 12, no Centro. Também é possível que os próprios familiares procurem diretamente o CRIE. Para que a solicitação seja analisada, é necessário apresentar o sumário de alta hospitalar ou um relatório médico detalhado que contenha o CID (código da doença) ou a descrição da condição clínica da criança, além do cartão de vacinas, um documento com o número do CPF e o receituário médico caso a criança faça uso de algum medicamento.
A aplicação do nirsevimabe ocorre de forma diferente conforme o perfil da criança. Para os bebês prematuros com 36 semanas e 06 dias, a proteção é feita durante todo o ano, em dose única. Já para as crianças com menos de 24 meses que possuem comorbidades, ou seja, outras doenças associadas, a aplicação acontece somente durante o período de maior circulação do vírus, que vai de fevereiro a agosto. No segundo período sazonal de circulação do VSR ao qual a criança estará exposta ao longo da vida, chamado de segunda sazonalidade, o uso do anticorpo é indicado exclusivamente para aquelas que têm comorbidades.
É importante destacar que o nirsevimabe não deve ser aplicado em bebês ou crianças que já tiveram reações alérgicas graves, como a anafilaxia, que é uma reação alérgica intensa e potencialmente perigosa, ao próprio medicamento ou a qualquer componente da sua fórmula.
Também estão incluídas no direito ao recebimento do anticorpo as crianças prematuras ou com comorbidades elegíveis que tenham nascido a partir de agosto de 2025, desde que procurem o serviço de saúde até completarem 06 meses de idade.
Com essa nova estratégia, a Prefeitura de Divinópolis reforça o cuidado com a primeira infância, ampliando a proteção contra um dos vírus mais perigosos para os bebês e oferecendo às famílias mais segurança, prevenção e tranquilidade em um momento tão delicado da vida.