A Prefeitura de Divinópolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), reforça a importância da participação do parceiro durante o pré-natal. Mais do que acompanhar a gestante nas consultas, o Pré-Natal do Parceiro representa uma oportunidade para que os homens também tenham acesso aos serviços de saúde, atualizem a vacinação, realizem testes rápidos, façam avaliações e recebam orientações para o cuidado com a própria saúde, com a da gestante e com a do bebê.
A estratégia faz parte das ações do Sistema Único de Saúde (SUS) para incentivar o envolvimento ativo do parceiro durante a gestação e ampliar o acesso dos homens aos cuidados preventivos. Segundo o Ministério da Saúde, a participação nas consultas também contribui para fortalecer os vínculos familiares e para a prevenção da transmissão de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis e HIV, reduzindo o risco de reinfecção da gestante e protegendo o bebê.
Para Matheus Guimarães, referência técnica de Saúde do Homem, a presença do parceiro durante todo o período da gestação é importante tanto para o cuidado com a família quanto para a própria saúde masculina. “É muito importante o parceiro estar acompanhando a gestação, é um momento muito importante para a família, no cuidado da gestação do filho, e é um momento também do parceiro procurar o atendimento de saúde, para colocar o cartão de vacina em dia, fazer os testes rápidos, fazer check-up da sua saúde, para que toda a família esteja em boas condições de saúde.”
Cuidado começa antes do nascimento
A participação do homem no pré-natal também permite que a equipe de saúde conheça as condições de saúde do parceiro e identifique situações que precisam de acompanhamento. Na Unidade Básica de Saúde (UBS) Vale do Sol, o médico Teodolino Neto explica que o atendimento considera o núcleo familiar como um todo. A participação do parceiro também pode contribuir para a prevenção de problemas de saúde durante a gestação.
Segundo o profissional, durante o acompanhamento são observadas questões que podem impactar a saúde do bebê, como doenças preexistentes, situação vacinal, alterações de colesterol e glicemia e possíveis casos de diabetes ainda não diagnosticados. O atendimento também possibilita que o homem inicie ou dê continuidade a tratamentos e estabeleça vínculo com a unidade de saúde. “Quando a gente pega um pai chegando aqui para fazer o acompanhamento do pré-natal com sua parceira, a gente sempre olha essa família como um todo, todo o núcleo familiar”, explica o médico.
Presença que também gera segurança
Para quem vivencia a gestação, ter o parceiro presente pode representar uma importante forma de apoio. Mara de Freitas Carvalho, paciente da UBS Vale do Sol, destaca a segurança proporcionada pela presença do marido nas consultas e exames. “Eu acho que é muito importante a presença do pai ao lado da esposa na gestação, porque passa uma segurança só de saber que ele tá aqui, que a gente pode contar com ele”, afirmou.
O envolvimento também pode começar desde a descoberta da gravidez. Matheus Felipe Silva, marido de Mara, acompanhou os diferentes momentos da gravidez e destaca que a presença do pai contribui para a aproximação com o filho ainda antes do nascimento. “Significou muito para mim participar de cada momento que ela precisou de mim, do meu filho. Eu digo para ela que o pai tem que estar presente, é desde a descoberta. Assim que deu positivo no teste, começa a jornada do pai para participar cada vez mais. Engana-se a pessoa que acha que não precisa do pai presente”, ressaltou.
Para ele, a participação não está restrita às consultas. O apoio cotidiano, o diálogo e a presença durante os momentos de dificuldade também fazem parte da construção da relação entre pai, mãe e filho.
Saúde do homem também faz parte do pré-natal
O Pré-Natal do Parceiro amplia o olhar sobre a gestação ao incluir o homem nas ações de cuidado. A proposta permite que ele tenha contato com serviços que muitas vezes são procurados com menor frequência, como vacinação, testagem e acompanhamento médico.
De acordo com o Ministério da Saúde, a estratégia também orienta os parceiros sobre amamentação, cuidados com o recém-nascido, participação no puerpério e outras atividades relacionadas ao cuidado com a criança. O objetivo é favorecer a corresponsabilização desde o início da gravidez e fortalecer a participação do homem na rotina familiar.
Além dos benefícios para a própria família, o acompanhamento pode contribuir para uma gestação com maior participação familiar e para a construção do vínculo entre pai e filho. Para o referência técnica em Saúde do Homem, Matheus Guimarães, esse acompanhamento deve ocorrer desde o início até o final da gestação. “Isso é muito importante, tanto para a mãe, quanto para o parceiro e tanto para o bebê que está vindo. Então, é de suma importância, mais uma vez, esse acompanhamento do início ao final da gestação para ambos os familiares”, destacou.
A iniciativa reforça que o pré-natal não precisa ser entendido apenas como um cuidado direcionado à gestante. A participação do parceiro amplia o acesso dos homens aos serviços do SUS, favorece o cuidado preventivo e contribui para que a chegada do bebê seja acompanhada por toda a família.