Há pouco mais de um ano, Divinópolis ganhou um espaço onde a convivência, arte, aprendizado e acolhimento se unem ao cuidado com a saúde mental. Mantido pela Prefeitura de Divinópolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), o Centro de Convivência e Cultura oferece à população atividades integrativas voltadas ao fortalecimento da autonomia, dos vínculos sociais e da qualidade de vida.
Localizado na rua Castro Alves, nº 1831, no bairro Catalão, o serviço atende prioritariamente usuários dos dispositivos da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), além de pessoas em acompanhamento psiquiátrico ou psicológico. As atividades contribuem para o desenvolvimento social, motor, artístico, funcional e ocupacional dos participantes.
Atualmente, o Centro acompanha uma média de 20 usuários e desenvolve oficinas terapêuticas, culturais, artísticas e de produção. A proposta é estimular o desenvolvimento humano, prevenir novas crises em saúde mental e contribuir para a redução da necessidade de tratamentos mais intensivos nos serviços da rede.
Mais do que atender pessoas em acompanhamento, o Centro também contribui para aproximar a comunidade do debate sobre saúde mental e combater preconceitos. O trabalho tem como foco o bem-estar biopsicossocial e valoriza as potencialidades de cada participante para além de seus diagnósticos, promovendo interação, aprendizado, desenvolvimento humano, acesso à cultura e possibilidades de geração de renda.
O acesso às atividades pode ocorrer por encaminhamento de qualquer serviço da rede pública de saúde ou de assistência social que identifique a necessidade do usuário ou por procura espontânea. Nesse caso, é realizado um acolhimento para avaliação da demanda. Quando o perfil é compatível com as atividades oferecidas, a pessoa é cadastrada e inserida nas oficinas de interesse. Caso seja identificada outra necessidade, o usuário recebe orientação para buscar o serviço mais adequado.
Arte, convivência e novas possibilidades
A programação semanal reúne atividades das 9h às 15h15, com intervalo para almoço das 12h às 13h. Às segundas-feiras, são realizadas roda de conversa temática, artes manuais e técnicas de pintura. Às terças, os participantes têm atividades de musicalização, artes manuais com materiais recicláveis e macramê. Nas quartas-feiras, a programação inclui construção de peças em madeira e arte com recicláveis.
Às quintas-feiras, são desenvolvidos jogos, brincadeiras e artesanato com grãos ou materiais orgânicos. A semana termina, na sexta-feira, com atividades de origami, montagem de peças de madeira e pintura. A arte ocupa papel importante na proposta do Centro, funcionando como instrumento de expressão, convivência e reconexão dos participantes com suas potencialidades.
Pintura, música, artesanato, poesia e outras manifestações culturais são utilizadas como ferramentas para estimular a criatividade, fortalecer vínculos, desenvolver novas habilidades e favorecer a reinserção social. A partir dessas experiências, os participantes encontram novas formas de expressão, fortalecem a autoestima e constroem novos sentidos para suas trajetórias.
Histórias que marcam a trajetória do Centro
Ao longo do primeiro ano, diferentes histórias marcaram a trajetória do serviço e da equipe. Uma delas foi a de Gelcira, uma das primeiras usuárias do Centro. Após mais de duas décadas em tratamento psiquiátrico no Serviço de Referência em Saúde Mental (Sersam), ela encontrou no espaço novas oportunidades de convivência, aprendizado e alegria, participando ativamente das oficinas e das atividades comemorativas. Gelcira faleceu em abril deste ano e deixou lembranças entre profissionais e participantes que conviveram com ela.
Quem participa do Centro é acolhido e tem a oportunidade de desenvolver habilidades que contribuem para o processo de reinserção social, como explica o oficineiro e ex-paciente da rede de Saúde Mental, Guilherme Henrique Carvalho. “O espaço é essencial para a devolução da autonomia à sociedade por também possuir qualificações para os usuários que desejam trabalhar com artes. Eu sinto ainda que a mudança na vida de cada um acontece quando o paciente consegue realizar alguma atividade proposta”, aponta.
O primeiro ano também foi marcado pela consolidação do serviço na rede municipal de saúde mental, como explica a psicóloga e coordenadora do Centro de Convivência e Cultura, Bárbara Lohanna de Moura Couto. “Em um ano de funcionamento do serviço, estamos nos consolidando no município enquanto um dos serviços base de saúde mental. Conseguimos alcançar pessoas que reconheceram o serviço como forma de se reconectar com a vida e a sociedade. Auxiliamos na reinserção social e no desenvolvimento dos nossos usuários em vários âmbitos de suas vidas através das atividades realizadas.”
Novas ações estão previstas
Nos próximos meses, o Centro pretende ampliar suas ações com a implantação de uma oficina profissionalizante de estamparia, realização de oficinas itinerantes em diferentes regiões da cidade, passeios culturais e turísticos e novas oficinas temáticas. Também está prevista uma maior aproximação com a Atenção Primária para otimizar os encaminhamentos, além da articulação com outros serviços públicos para ampliar o acesso da população às atividades.
A Prefeitura de Divinópolis reforça o compromisso com a promoção da saúde mental por meio de iniciativas que valorizam o acolhimento, a convivência, a autonomia e o desenvolvimento humano. O Centro também trabalha para ampliar o diálogo com os serviços da assistência social e fortalecer a atuação integrada com outras áreas do município.
O Centro de Convivência e Cultura acolhe pessoas que estejam com o quadro de saúde mental estabilizado e que necessitem de um espaço de interação, convivência e aprendizado para fortalecer sua autonomia e sua conexão com a vida em comunidade. Os interessados podem procurar diretamente o serviço, na rua Castro Alves, nº 1831, bairro Catalão, ou entrar em contato pelo telefone (37) 3229-6079 para obter mais informações.