Força cultural, memória viva e protagonismo negro marcam reunião entre Janete Aparecida e representantes da Congadiv
Quando a tradição ocupa o centro do debate público, Divinópolis revela mais do que números, expõe raízes profundas de um povo que transformou fé em resistência e cultura em legado, consolidando o município como referência na preservação das manifestações afro-brasileiras. Em reunião conduzida pela prefeita Janete Aparecida, representantes da Congregação das Irmandades Congadeiras, de Reinado, Festa de Cruz, Folia de Reis e Correlatas de Divinópolis/MG (Congadiv) apresentaram um estudo que revela a profundidade histórica, social e cultural das irmandades do Rosário e das guardas de Reinado no município, consolidando a cidade como um dos principais polos dessa manifestação em Minas Gerais.
Durante o encontro, que contou com a presença do professor da UEMG Divinópolis, Leonam Maxney Carvalho, da psicóloga e secretária da Congadiv, Fernanda de Souza Vilela, e da presidente da Congregação, Jéssica Moreira da Silva, foram apresentados dados que evidenciam a singularidade local. Divinópolis reúne 19 Irmandades de Nossa Senhora do Rosário e 37 Guardas de Reinado, números que não apenas impressionam, mas revelam uma forte estrutura comunitária, marcada pela organização coletiva, pela transmissão de saberes e pela permanência de práticas culturais que atravessam gerações. Também participaram do encontro vereador Rodyson do Zé Milton e da gerente administrativa da Secretaria Municipal de Cultura (Semc), Thais Emília de Souza.
Em perspectiva comparativa, os dados do relatório evidenciam o protagonismo de Divinópolis no cenário mineiro uma vez que a cidade supera, com ampla margem, municípios de grande porte como Belo Horizonte, que apresenta entre 12 e 15 irmandades, Contagem com cerca de 10, Betim variando entre 8 e 10 e Montes Claros com registros entre 5 e 8. Esse destaque não se limita à dimensão quantitativa, mas se estende à forma de organização, já que o município apresenta uma configuração policêntrica, com forte articulação comunitária e autonomia entre as irmandades, consolidando-se como um dos mais expressivos territórios de preservação, continuidade e fortalecimento das tradições afro-brasileiras em Minas Gerais.
A pesquisa evidencia que essas manifestações vão além da dimensão festiva e se consolidam como espaços de articulação social e política, fundamentais para a valorização da cultura afro-brasileira e para o enfrentamento das desigualdades históricas.
Neste cenário, a trajetória da prefeita Janete Aparecida ganha ainda mais significado. Primeira mulher a ocupar o cargo máximo do Executivo municipal e mulher negra, sua presença à frente da gestão dialoga diretamente com o universo das tradições reinadeiras, das quais também faz parte. “Receber esse relatório é reconhecer a força de um povo que construiu sua história com fé, resistência e organização. Como mulher negra e parte dessa cultura, tenho o compromisso de fortalecer políticas públicas que respeitem e valorizem essas raízes, garantindo que essa memória siga viva e presente nas próximas gerações”, destacou.
Ao final da reunião, o que se consolidou foi mais do que a apresentação de um estudo, mas o fortalecimento de um compromisso coletivo com a memória e com o futuro. Divinópolis se firma, assim, como um território onde cultura, história e representatividade não apenas coexistem, mas se entrelaçam para construir uma cidade que honra suas origens e projeta, com consciência e orgulho, o valor de suas raízes afro-brasileiras.