Com plataformas de apostas de quota fixa fora do ar no país, município reforça que impactos do vício podem permanecer e oferece acolhimento e tratamento gratuito pelo SUS
As bets estão no centro de uma importante mudança no Brasil. Desde terça-feira (6/10), sites e aplicativos de apostas de quota fixa devem ficar indisponíveis no país, conforme determina a Medida Provisória nº 1.394/2026. Mas, para quem desenvolveu uma relação de dependência com o jogo, tirar as plataformas do ar não significa necessariamente o fim do problema.
Diante desse novo cenário, a Prefeitura de Divinópolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), reforça que pessoas que perderam o controle sobre as apostas e enfrentam consequências emocionais, familiares, profissionais ou financeiras podem buscar acolhimento e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O transtorno do jogo é reconhecido como um transtorno de comportamento aditivo e se caracteriza pela dificuldade de controlar o impulso de apostar, mesmo diante de prejuízos. Em Divinópolis, situações relacionadas às apostas já chegam aos serviços de saúde associadas a ansiedade, depressão, conflitos familiares e endividamento.
Quando a aposta se torna um problema?
Pensar constantemente em apostar, aumentar progressivamente os valores, tentar recuperar perdas fazendo novas apostas, esconder gastos, pedir dinheiro emprestado ou comprometer contas, salário e economias estão entre os principais sinais de alerta.
Irritabilidade e ansiedade ao tentar parar, alterações no sono, alimentação e humor, isolamento, queda no desempenho profissional e conflitos familiares também merecem atenção. Outro sinal é recorrer ao jogo como forma de aliviar angústia, tédio, culpa ou outros sentimentos difíceis.
Segundo o gerente de Saúde Mental da Semusa, André Antônio da Silva, é fundamental compreender a dependência sem julgamentos e procurar ajuda. “A dependência em apostas é um transtorno de saúde mental e tem tratamento. Quando a pessoa percebe que perdeu o controle e que as apostas estão comprometendo sua vida financeira, emocional, familiar ou profissional, é importante buscar ajuda. Quanto mais cedo esse cuidado começa, maiores são as possibilidades de reduzir os danos e reconstruir a rotina e as relações”, destaca.
Os impactos podem ir muito além das dívidas. A dependência pode provocar culpa, vergonha, ansiedade, depressão e insônia, além de estar associada ao aumento do consumo de álcool e outras drogas. Em situações mais graves, pode haver risco de ideação e tentativa de suicídio, exigindo atendimento imediato.
Onde buscar ajuda em Divinópolis
A UBS de referência é uma das portas de entrada para acolhimento e avaliação. A pessoa também pode procurar diretamente o CAPS AD, sem necessidade de encaminhamento médico.
No CAPS AD, uma equipe multiprofissional realiza o acolhimento e avalia cada caso para construir um plano terapêutico individualizado. O acompanhamento pode envolver atendimentos individuais e em grupo, assistência médica e psiquiátrica, terapia ocupacional e orientação aos familiares.
Este equipamento está localizado na avenida Ottoni Olímpio de Oliveira, nº 201, bairro Universitário. O telefone para informações é (37) 3229-6054.
O Ministério da Saúde também disponibiliza atendimento gratuito e sigiloso pelo Meu SUS Digital. A plataforma oferece um autoteste para avaliar a relação com jogos e apostas e, quando identificado risco moderado ou elevado, possibilita o encaminhamento para teleatendimento por videochamada. O serviço também atende familiares e integrantes da rede de apoio.
Família também precisa estar atenta
Familiares podem ajudar acolhendo a pessoa sem julgamentos, acusações ou humilhações e incentivando a busca por tratamento. Dependendo da situação, pode ser necessário proteger o patrimônio familiar, limitar o acesso a cartões, contas e Pix e evitar quitar repetidamente dívidas decorrentes das apostas.
Em caso de crise ou risco à vida, a orientação é procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou acionar o Samu pelo telefone 192. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo número 188, 24 horas por dia.