Um SUS que acolhe todas as pessoas também precisa reconhecer que cada uma chega aos serviços de saúde com histórias, necessidades e realidades diferentes. Com esse olhar, a Prefeitura de Divinópolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) e da Diretoria de Atenção Primária à Saúde (DAPS), realizou, no dia 25 de setembro, o 1º Seminário de Equidades, com o tema “Entre Invisibilidades e Direitos: Caminhos para a Equidade no SUS”.
O encontro reuniu profissionais de saúde, integrantes do Conselho Municipal de Saúde, representantes do Complexo de Saúde São João de Deus e do Hospital Universitário, além de convidados e representantes de diferentes segmentos da sociedade. A proposta foi criar um espaço de formação, escuta e troca de experiências, contribuindo para um atendimento cada vez mais inclusivo, humanizado e atento às diferentes necessidades da população.
Ao longo da programação, os participantes discutiram como as desigualdades sociais podem interferir no acesso aos serviços e na qualidade da assistência, com atenção especial às experiências da população LGBTQIAPN+ e da população negra.
O primeiro eixo, “Invisibilidade Social, Identidade e Determinantes Sociais da Saúde da População LGBTQIAPN+”, foi conduzido pelo Dr. Marcus Carneiro. A abordagem trouxe reflexões sobre identidade, reconhecimento e determinantes sociais da saúde, além dos desafios que ainda podem ser encontrados por essa população no acesso e na utilização dos serviços.
Outro tema central foi o racismo institucional e seus reflexos na assistência à saúde. A discussão foi conduzida por Raul Alvim Capistrano, que abordou situações e barreiras que podem comprometer o acesso aos serviços e a qualidade do cuidado oferecido à população negra.
A programação também abriu espaço para diferentes experiências por meio da mesa-redonda “Vozes da Diversidade”, mediada por Wilson Novais Junior e com a participação do Dr. Flávio Vaz Calderaro, Thyalle Kelle Araújo e Liz Maria Alves de Freitas. O diálogo ampliou as discussões sobre diversidade, direitos, acesso à saúde e respeito às particularidades de cada pessoa.
Um dos principais pontos trabalhados durante o seminário foi o próprio significado de equidade. Embora o Sistema Único de Saúde seja universal e destinado a todos, as pessoas não partem das mesmas condições sociais e nem sempre enfrentam as mesmas barreiras para acessar o cuidado. Por isso, promover equidade significa reconhecer essas diferenças para oferecer respostas adequadas às necessidades de cada usuário.
Questões como o respeito à identidade e ao nome social, o acolhimento e a garantia de um atendimento livre de preconceito e discriminação também fizeram parte das reflexões.
Nesse processo, a Atenção Primária à Saúde exerce papel fundamental. Como principal porta de entrada do SUS e serviço mais próximo do cotidiano das comunidades, é nas unidades de saúde e no contato entre profissionais e usuários que princípios como universalidade, integralidade, humanização e equidade se transformam em cuidado na prática.
Com a realização do primeiro seminário, a Prefeitura amplia os espaços de formação dos profissionais e fortalece o compromisso de identificar e enfrentar barreiras que possam dificultar o acesso ou a permanência das pessoas nos serviços de saúde. A proposta é que o conhecimento compartilhado durante o encontro contribua para novas formas de olhar, ouvir e acolher, respeitando a diversidade e garantindo o direito à saúde de todos.









