A Prefeitura de Divinópolis realizou, nesta quarta-feira (4/3), o evento “Segurança Delas”, iniciativa que integra o calendário oficial de ações do “Mês Todinho Delas”, movimento que transforma março em um período de mobilização coletiva pela valorização feminina no município. Realizado em parceria com a Associação Comunitária para Assuntos de Segurança Pública (Acasp), o encontro reuniu representantes das forças de segurança, instituições públicas e entidades da sociedade civil em um momento de reflexão, troca de experiências e fortalecimento de estratégias voltadas à proteção das mulheres.
A abertura do encontro foi conduzida pelo presidente da Acasp, Breno Clementino, que deu as boas vindas aos participantes e destacou a importância de reunir diferentes instituições em torno de um tema que exige atenção permanente da sociedade.
Um dos momentos mais marcantes do encontro foi a participação da vice-prefeita Janete Aparecida, que apresentou um panorama detalhado sobre a atuação do município no enfrentamento à violência contra a mulher e destacou o avanço da representatividade feminina na administração pública. Em sua fala, ela lembrou que a atual gestão municipal tem ampliado a presença de mulheres em cargos de liderança e ressaltou que essa participação tem contribuído para fortalecer políticas públicas voltadas à proteção e ao cuidado.
Janete também chamou a atenção para dados preocupantes relacionados à violência contra a mulher no município, apresentados a partir de levantamentos da Polícia Civil. De 2024 até o dia 3 de março de 2026, foram registradas 727 prisões em flagrante relacionadas à violência contra mulheres, além de 1.340 medidas protetivas solicitadas e 791 inquéritos instaurados. Para a vice-prefeita, os números evidenciam a gravidade do problema, mas também demonstram que a sociedade tem avançado ao enfrentar o tema de forma aberta e responsável. “Esses números são alarmantes e revelam o quanto ainda precisamos avançar, mas também mostram que hoje temos coragem de nos reunir, discutir e enfrentar essa realidade. A violência contra a mulher precisa ser tratada com seriedade, com diálogo e com ações concretas que envolvam toda a sociedade”, afirmou.
Durante sua fala, a vice-prefeita também destacou a estrutura de atendimento oferecida pelo município às vítimas de violência, incluindo o trabalho realizado pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), que oferece apoio psicológico, social e jurídico às mulheres em situação de vulnerabilidade. Ela lembrou ainda que o município conta com serviços de abrigamento sigiloso para mulheres e filhos em risco de vida, garantindo proteção em situações extremas.
A vice-prefeita também destacou a adesão do município ao programa federal de enfrentamento ao feminicídio e explicou que a rede de apoio inclui ainda serviços de saúde especializados, como o acolhimento a vítimas de violência sexual realizado no Hospital São João de Deus, além de grupos de apoio desenvolvidos nas unidades de saúde e atendimento odontológico específico para mulheres vítimas de agressões.
Ao abordar as causas da violência, Janete reforçou a necessidade de ampliar o diálogo com os homens, destacando que a prevenção passa necessariamente por processos educativos que combatam a cultura da violência desde a infância.
“A solução não passa apenas por orientar as mulheres a denunciar. Precisamos dialogar com os homens, falar sobre respeito, sobre relações saudáveis e sobre o impacto da violência. Esse é um trabalho que começa dentro das casas, nas escolas e em toda a sociedade”, destacou.
Unidos contra a violência
A programação contou ainda com a participação de diversas autoridades que contribuíram com reflexões e experiências sobre o enfrentamento da violência contra a mulher.
O chefe do 7º Departamento da Polícia Civil, doutor Flávio Destro, ressaltou que a violência doméstica é um problema que frequentemente nasce dentro do ambiente familiar e, por isso, precisa ser debatido de forma constante em todos os espaços da sociedade. “A união entre instituições públicas, empresas e cidadãos é essencial para reduzir os índices de violência e promover mudanças culturais duradouras”, disse.
A delegada Maria Gorete, representante da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, explicou o funcionamento da unidade e destacou a importância de que as vítimas procurem atendimento para iniciar os procedimentos legais, como abertura de inquérito e solicitação de medidas protetivas. “A violência muitas vezes começa de forma silenciosa, com atitudes de controle, desqualificação e isolamento, o que torna fundamental a conscientização sobre os sinais iniciais de relacionamentos abusivos”, reforçou.
Representando a Polícia Militar, o major Bittencourt, comandante do 23º Batalhão, destacou que o trabalho de proteção às mulheres é realizado diariamente pelas equipes policiais e envolve tanto ações de repressão quanto estratégias de prevenção. Ele explicou que a atuação inclui o atendimento imediato por meio do telefone 190, a avaliação de risco das vítimas e o acompanhamento realizado pela Rádio Patrulha de Proteção à Mulher, estrutura especializada que realiza visitas e acompanhamento contínuo para evitar novos episódios de violência.
A representante da Central de Acompanhamento das Alternativas Penais, Jordana Lacerda, apresentou o trabalho do programa CEAPA, que atua na responsabilização de homens autores de violência por meio de grupos educativos voltados à mudança de comportamento e à reflexão sobre padrões culturais que contribuem para a violência doméstica. Já a presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Divinópolis, Ellen Lima, ressaltou a importância de honrar a memória das mulheres vítimas de feminicídio e defendeu que o enfrentamento da violência precisa ser um compromisso coletivo, envolvendo homens e mulheres em um processo de transformação cultural.
Também participaram do encontro representantes das forças armadas e de instituições socioeducativas. O comandante do 10º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar, major Wan Jonhson Maia Júnior, destacou a importância do trabalho conjunto das instituições na proteção da vida e na promoção da prevenção. O subtenente Jonathan Oliveira, chefe do Tiro de Guerra em Divinópolis, ressaltou os avanços na presença feminina nas Forças Armadas e lembrou que a conquista de espaços pelas mulheres representa uma mudança histórica em ambientes tradicionalmente masculinos.
A diretora de atendimento do Centro Socioeducativo, Ester de Almeida Liduário Ferreira, abordou o trabalho realizado com adolescentes em conflito com a lei e destacou a importância de ações pedagógicas que promovam a responsabilização e a mudança de comportamento, especialmente diante do aumento de casos de violência envolvendo jovens. A vereadora Kell também esteve presente e destacou a importância do tema debatido.
O encontro foi encerrado em um momento de sensibilidade e valorização da cultura. A artista mirim Liz Ordones emocionou o público presente com uma interpretação de poemas da escritora divinopolitana Adélia Prado, levando ao público versos que celebram a força, a sensibilidade e a profundidade da experiência feminina, encerrando a programação com uma mensagem de reflexão, respeito e esperança.