A professora da Escola Municipal Professora Maria de Lourdes Teixeira, no bairro Dona Rosa, Terezinha Maria Pereira de Castro, foi selecionada para contar sua experiência de novas práticas pedagógicas em linguagem e alfabetização em Belo Horizonte. A educadora teve seu trabalho escolhido e representará Divinópolis no Seminário de Avaliação do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) de 25 a 27 de fevereiro na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A experiência em sala de aula servirá como inspiração para o desenvolvimento de práticas de alfabetização para mais de 100 municípios mineiros.
Professora do 3º ano do ciclo inicial, Terezinha Maria Pereira utilizava métodos enfocando as quatro operações básicas e seus usos na matemática. “A matemática representava para mim um mistério, um universo complicado e atrevido: onde já se viu transformar letras em números? O ensino da matemática se restringia aos exercícios repetitivos e mecanizados”, lembrou a professora.
No entanto, com a formação no PNAIC, uma nova prática pedagógica foi adotada nas salas e um trabalho com 24 alunos durante dois meses foi realizado. “Percebi a necessidade de reinventar a minha prática, buscando novos jeitos de ensinar e aprender. Utilizar apenas recursos como quadro negro, giz, exposições orais ou exercícios repetitivos, sem nenhuma relação com as experiências vividas pelos alunos, estava me incomodando. Fiquei convicta de que a tecnologia precisa ser uma aliada do professor e sua concretização na sala de aula pode potencializar o processo de ensino e de aprendizagem”, defendeu Terezinha Maria Pereira.
A educadora da rede municipal organizou uma sequência didática para aprofundar conteúdos da língua portuguesa - estudo dos gêneros textuais e produção de textos - e de matemática - medidas, tabelas e gráfico de barra. “Selecionei, da caixa de Obras Complementares do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), o livro ‘Só um minutinho’ de Yuyi Morales, com tradução de Ana Maria Machado. Nesta obra, de maneira engraçada e inteligente, o autor trata do tema morte”, disse.
A professora conta que foi possível retomar alguns gêneros textuais presentes no livro. Na matemática, planejou e aprofundou os conhecimentos referentes a grandezas e medidas e tratamento da informação, com ênfase na discussão, organização e produção de tabelas e gráficos.
Grupos
A professora desenvolveu a autonomia dos alunos, oportunizando a exposição de argumentos e respeitando suas capacidades e habilidades. “Busquei colocá-los em situações de conflito, encorajando-os a estabelecer relações entre fatos e objetos. Para tanto, experimentei uma nova proposta de organização da sala de aula, trabalhando com os alunos em cinco grupos diferenciados em cada momento da sequência. Contava sempre com um aluno líder motivador em cada grupo que conduzia as atividades, coordenava e direcionava as tarefas incentivando a participação de todos. Procurei respeitar as sugestões dos alunos para realizar novos agrupamentos”, destacou.
A professora utilizou novas tecnologias no ensino apresentando três recursos diferentes de leitura: o livro impresso, slides em data show e em vídeo, com fundo musical. Durante cinco momentos, a professora empregou formas diferentes de aprendizado utilizando slides, data show, livro e outras ferramentas. No final do novo método adotado, Maria de Lurdes, percebeu avanço dos estudantes.
“Percebi que, com esta proposta, a cada dia, os alunos avançavam na escrita alfabética, leitura e oralidade. Em matemática, os alunos avançaram nos eixos: números e operações, melhorando a compreensão do sistema de numeração decimal; grandezas e medidas e tratamento da informação, o que ficou explícito na construção dos gráficos de colunas, na leitura e interpretação dos mesmos. Eles trocavam informações coordenando seus pontos de vista favorecendo a compreensão dos conteúdos”, destacou Terezinha Maria, que teve como orientador Almeida Divino Gonçalves.