Após mais de três horas de reunião, avanço nas tratativas abre possibilidade de nova proposta, enquanto Município avalia limites do subsídio e necessidade de revisão tarifária
A Prefeitura de Divinópolis, por meio da mediação direta da prefeita Janete Aparecida, avançou nas negociações entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários e Urbanos de Divinópolis (Sinttrodiv) e o Consórcio TransOeste, em reunião que durou mais de três horas nesta segunda-feira (13/4). O encontro teve como foco a busca por um equilíbrio entre a melhoria do serviço prestado à população, a valorização dos motoristas e a sustentabilidade financeira do sistema.
Durante a reunião, marcada por um cenário de forte divergência entre as partes, a prefeita destacou que o momento exige responsabilidade e diálogo, uma vez que o transporte público é um serviço essencial para a população, utilizado diariamente para trabalho, estudos e compromissos, e não pode ser comprometido.
Apesar do impasse inicial, cuja proposta apresentada pela empresa foi considerada insuficiente pelo sindicato, houve avanço nas tratativas. Uma nova proposta será formalizada na quarta-feira (15/4) e apresentada aos trabalhadores em assembleia na quinta-feira (16/4).
A prefeita ressaltou que o sistema de transporte coletivo de Divinópolis enfrenta um processo de defasagem acumulada ao longo dos anos, tornando insustentável a manutenção do modelo atual sem intervenções estruturais. Segundo ela, é necessário garantir melhorias na frota e avanços na valorização dos trabalhadores, sem perder de vista a realidade financeira do Município. “Atualmente, a Prefeitura destina cerca de R$ 2 milhões mensais em subsídio para o transporte público, valor que pode ser mantido até o mês de outubro. No entanto, para atender às demandas apresentadas durante a negociação, seria necessário ampliar esse aporte para aproximadamente R$ 3 milhões mensais”, explicou.
Janete explicou que esse aumento é inviável no cenário atual, pois comprometeria diretamente outros serviços essenciais. Ela exemplificou que o valor adicional representaria impacto significativo em áreas como a merenda escolar, cujo custo anual gira em torno de R$ 3 milhões, além de comprometer contrapartidas necessárias para a execução de obras importantes no município, como unidades escolares e a policlínica.
Diante desse cenário, a possibilidade de reajuste na tarifa do transporte público voltou a ser considerada. A prefeita ponderou que qualquer decisão a ser tomada exigirá sensibilidade e responsabilidade, uma vez que tanto o aumento do subsídio quanto o reajuste da tarifa são medidas que impactam diretamente a população. Ainda assim, destacou que será necessário enfrentar o problema de forma estruturante para garantir a continuidade e a melhoria do serviço.
A administração municipal segue acompanhando as negociações e reforça o compromisso de buscar uma solução equilibrada, que preserve o interesse público, assegure a qualidade do transporte coletivo e valorize os trabalhadores do setor.