NUPAC - Núcleo do Patrimônio Histórico

NÚCLEO DE PATRIMÔNIO CULTURAL – NUPAC

O cerne de uma política patrimonial são os processos de inventário e tombamento dos bens culturais. Além de sua importância para a proteção do patrimônio municipal, tais processos podem canalizar importantes recursos para ações em cultura, já que os Governos Federal e Estadual, respectivamente por intermédio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG), têm buscado implementar políticas patrimoniais descentralizadoras, que estimulem os governos municipais a realmente assumirem a proteção do patrimônio cultural brasileiro.
No caso de Minas Gerais, o Estado repassa recursos a municípios que anualmente encaminham ao IEPHA/MG documentação comprobatória referente às suas políticas patrimoniais, para fins de atendimento ao critério Patrimônio Cultural de distribuição do ICMS em Minas Gerais, nos termos da Lei n.º 13.803/2000. O valor do repasse de ICMS é função da arrecadação estadual e da pontuação estabelecida pelo IEPHA/MG, após a análise da documentação do município quanto à sua adequação às normas de conteúdo, formatação e organização documental; estas, por sua vez, são estabelecidas pelo IEPHA/MG na forma de deliberações normativas.
A partir do entendimento, por parte do Município, de que deveria assumir o seu papel central no trabalho de produção da documentação patrimonial, em vez de delegar essa atribuição a consultores; e, por outro lado, de que a extensão e a crescente complexidade e burocratização do processo de produção da documentação patrimonial exigem dedicação, estrutura e profissionais específicos, foi criado, em janeiro de 2006, o Núcleo do Patrimônio Cultural na Secretaria Municipal de Cultura, vinculado diretamente ao gabinete do secretário.

Estação

Edificada na Rua do Comércio pelo engenheiro Henrique Galvão, a Estação foi inaugurada no dia 30 de abril de 1890. A obra foi o primeiro prédio construído na Praça da Estação e em homenagem ao engenheiro, ficou o nome “Estação Henrique Galvão”, o mesmo nome que a vila recebeu quando foi criado mais tarde, o município, pela Lei Estadual nº.556 de 30 de agosto de 1911. No dia 22 de fevereiro de 1916, a vila inaugurou a “Estação Divinópolis”, capaz de receber e expedir os trens das bitolas de 1m e 0,76m.
  A Estação foi tombada pela Lei 2.456 de 15 de dezembro de 1988, e desde setembro de 1996, o prédio está sob a administração da FCA – Ferrovia Centro-Atlântica que o cedeu para a Prefeitura e nele, se instalou a antiga Fundação Municipal de Cultura. Atualmente o local abriga o Centro de Artes.

Sirene

Até por volta de 1970, havia o bonde, e o apito soava às 6h30min, 6h45min e 7h, partida do bonde do ponto onde é hoje a Praça Candidés, junto à Ponte do Niterói. Soava também às 10h55min, 11h, 11h05min, partida do bonde da oficina para o bairro Niterói; depois, soava às 12h15min, 12h30min, 12h25min, 16h30min e 16h35min.
 O “Apito da Rede” também servia para prevenir os moradores ribeirinhos contra ameaças de enchente, anunciar fim de greves, assinalar aleluias e a queima do Judas. O tom musical do apito, era a nota Lá da clave de sol; e os poucos músicos da cidade, que não tinham diapasão, serviram-se do apito para afinar seus instrumentos. No dia 25 de outubro de 1996, às 17h a sirene soou pela última vez; após solicitação da comunidade, o apito voltou a soar. Desde 01 de setembro de 2000, o apito pôde ser ouvido 10 vezes por dia nos horários de 6h30min, 6h45min, 6h55min, 7h, 10h55min, 11h, 12h15min, 12h30min, 16h55h e 17h.
A sirene foi tombada pela Lei 5.560, de 27 de fevereiro de 2003.

Museu

Construído por escravos em apenas 40 dias no início do século XIX, a mando do capitão Domingos Francisco Gontijo para ser sua casa. Considerada a melhor habitação do arraial do Espírito Santo do Itapecerica, a residência tornou-se o local preferido para hospedar visitantes ilustres, como o bispo da Diocese de Mariana, Dom Antônio Ferreira Viçoso, entre outros.
Em 1906, o prédio foi a primeira sala de cinema, com um aparelho portátil movido a gás de carbureto; em 1913, ali residia e ministrava suas aulas o professor Francisco Dias; no dia 31 de maio de 1916, o sobrado foi o ambiente da lua-de-mel do primeiro presidente da Câmara Municipal de Divinópolis, o cel. Antônio Olímpio de Moraes com sua esposa Maria da Conceição Alves Gontijo de Moraes; em 1923 e 1924, serviu de posto de saúde; mais tarde a congregação das Filhas de Nossa Senhora do Sagrado Coração, assumiu a Escola Normal Dr. Mário Casassanta, de janeiro de 1937 a 1943.
No mês de maio de 1944, o sobrado abrigou o Grupo Escolar Dona Antônia Valadares, até dezembro de 1963 e nos três últimos anos, acolheu também a Escola São Tarcísio de 1º e 2º Grau; de 1964 até 1978, o casarão abrigou as escolas Monsenhor Domingos e Evangelista Pinheiro.
 Após esse período, o sobrado ficou fechado e sofreu várias depredações, na manhã do dia 7 de junho de 1982, parte do prédio foi demolida com o pretexto de “urbanizar a praça”. Sob supervisão do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais – IEPHA/MG, o que sobrou do casarão foi restaurado e inaugurado em 22 de junho de 1985; e desde 31 de maio de 1986, o sobrado passou a abrigar o Museu Histórico de Divinópolis, e de acordo com a Lei 2.456 de 15 de dezembro de 1988, o sobrado do “Largo da Matriz” foi tombado.

Usina da Cachoeira Grande

As obras da nova usina, iniciadas em 1911, foram concluídas em 1914, mas sua inauguração só aconteceu em julho de 1918 com a presença do ministro da Viação, Miguel Calmon.
A casa de força da usina, era dotada de três grupos de geradores importados da Suíça e Alemanha, com potência total de 840 KVA. Toda a energia era conduzida para as oficinas e Vila Operária através de uma rede elétrica de três quilômetros. As telhas do prédio foram fabricadas em Marselha na França.
Depois de servir à Estrada de Ferro Oeste de Minas, Rede Mineira de Viação, Viação Férrea Centro-Oeste e Rede Ferroviária Federal S.A durante mais de 70 anos, como também por um período menor, ao sistema de bombeamento de água do Porto Velho, a Usina Hidrelétrica foi desativada em março de 1981, e em dezembro de 1985, foi adquirida pela Prefeitura. No dia 15 de dezembro de 1988, a Usina foi tombada pela Lei 2.458.

Usina Gravatá

Conforme sugestão da Comissão da Campanha Econômica, o Governador Olegário Dias Maciel, através do Decreto 9.954, de 16 de junho de 1931, criou a Usina de Álcool-Motor de Mandioca do Estado de Minas Gerais, em Divinópolis, e nomeou como diretor, o engenheiro Antônio Gonçalves Gravatá.
Logo depois de adquirir um terreno às margens do rio Itapecerica e iniciar a construção da usina-piloto, o governo mineiro importou da Alemanha, as máquinas necessárias, por meio da firma R. Petersen & Cia. Ltda. Depois de inaugurada, em setembro de 1932, a Usina produzia em média, 1.700 litros de álcool e foram lançados no mercado em outubro daquele ano, por um preço mais baixo que o da gasolina. Até 1942, foram fabricados cinco milhões de litros; com a interrupção do fornecimento de gasolina para o Brasil, devido à Segunda Guerra Mundial, houve um aumento considerável na produção de álcool em Divinópolis, já que na época, foi a primeira Usina de álcool-motor da América Latina.
Ao final da Guerra, a Usina paralisou suas atividades, voltando às mãos do Estado, no início da década de 50, que a incorporou à CAMIG – Companhia Agrícola de Minas Gerais, rebatizando-a com o nome de “Usina Gravatá”, em homenagem ao seu idealizador, dedicando-se a produção de polvilho e ração balanceada até metade da década de 60, quando suas instalações foram transformadas em depósito de produtos agrícolas. O prédio serviu à CAMIG por mais alguns anos depois de 1978, até ser fechado e abandonado à depredação.
A Usina Gravatá foi tombada pela Lei 2.460 de 15 novembro de 1988.

 

 As Pinturas do Santuário

Em comemoração ao 25º aniversário da chegada dos franciscanos a Divinópolis e inauguração do Santuário de Santo Antônio, que demorou mais de 20 anos para ser concluído, a população foi presenteada em 20 de novembro de 1949 com as obras do artista holandês Frei Humberto Randag.
As pinturas ocupam a área de 222,65m², todos com temas sacros, agrupando os painéis do alto-mor, do arco cruzeiro, das paredes laterais e do coro. A técnica utilizada foi Têmpera à caseína.
Desde sua inauguração, as pinturas sofreram graves deteriorações, sendo que entre maio de 1996 e março de 1997, foram restauradas pelo CECOR - Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis, da Universidade Federal de Minas Gerais; assim as obras resgataram o brilho e a magnitude e encantam até hoje.
As pinturas do Santuário foram tombadas pela Lei 2.459, de 15 de dezembro de 1988.

O Centro Redentor

Atribuindo ao Racionalismo Cristão a cura da esposa, Francisca Teodora Gontijo Santos, Sinfrônio Gontijo da Silva, o “Capitão Silva”, num gesto de gratidão, empreendeu junto com amigos a implantação do Centro Espírita Filial Redentor de Divinópolis, o Centro Redentor.
Depois de adquirir um terreno da Prefeitura e ganhar a planta, enviada pelo Centro Redentor do Rio de Janeiro, os racionalistas cristãos iniciaram a construção do templo, que foi inaugurado em 16 de maio de 1937. Desde esta data, a casa tornou-se Centro Espírita Filial Redentor de Divinópolis, com diretorias e estatutos próprios.
Situado à Rua Minas Gerais, 798, o prédio do “Centro Redentor” é uma construção com estilo eclético, predominando traços góticos e neoclássicos. Os elementos originais mantêm-se quase todos preservados.
O “Centro Redentor” foi tombado pela Lei 3.899, de 1º de dezembro de 1995.

 

Cristo Crucificado

A imagem do Cristo Crucificado, de autor desconhecido, possivelmente do século XVIII, é proveniente da Capela de Santa Helena, no povoado de Lava-Pés, município de Divinópolis. Conforme a tradição oral, em meados do século XVIII, foi construída uma capela dedicada a Santa Helena na serra da Guarita.  As dificuldades de acesso ao local, porém, obrigaram os moradores a transferirem a capela para o terreno em que se encontra atualmente; o novo prédio foi concluído em 1833. Ainda de acordo com informações orais, a imagem do Cristo Crucificado teria sido guardada em casa de um vizinho da capela, quando, desativada por longo período, teve seu acervo danificado e disperso.
    O guardião da peça, cujo nome não se registrou, ao ser atendido, pouco antes de falecer, pelo médico Joaquim Coelho Filho, a este doou a peça, que mais tarde foi repassada a uma de suas filhas, Clio Coelho Ferraz, que doou a imagem para o Museu Histórico de Divinópolis, em maio de 1988. Na década de 1980, a capela foi reativada, depois de receber obras de restauração e reforma inaugurada em 25 de maio de 1984.
O Cristo Crucificado foi tombado pela Lei 5.594 de 29 de abril de 2003.

Centro Cultural do Povo

Na época de sua emancipação, Divinópolis concentrava-se ao redor da matriz do Divino Espírito Santo. Os arredores eram cobertos de mato. A Lei n.º 03, de junho de 1912, e a Lei n.º 27, de 21 de junho de 1915, da Câmara Municipal, que aprovaram as plantas topográficas da nova cidade, não fazem qualquer menção à área da atual praça Dr. Benedito Valadares. A Planta de Divinópolis, mandada levantar pelo cel. Antônio Olímpio de Moraes, datada de 30 de outubro de 1922, menciona, entre outras informações, a existência da Praça Municipal (quarteirão n.º 23, compreendido entre a antiga avenida Independência – atual Antônio Olímpio de Morais –, rua Rio de Janeiro, av. Primeiro de Junho e rua São Paulo); e o quarteirão n.º 21 (compreendido entre a av. Sete de Setembro, rua Rio de Janeiro, av. 21 de Abril e rua São Paulo), do qual se originaria a praça Dr. Benedito Valadares, que foi dividido em trinta lotes.
O quarteirão n.º 21,  recebeu nova configuração; metade de sua área foi destinada à praça da Liberdade, e em 3 de maio de 1963, recebeu um obelisco – projeto do engenheiro Antônio Gonçalves Gravatá, o mesmo autor do projeto do Pirulito da Praça Sete, de Belo Horizonte –, em homenagem ao então governador de Minas Gerais, Benedito Valadares.
Por várias décadas, a praça, sem nenhuma vegetação e qualquer outra intervenção urbanística, serviu para a realização das barraquinhas da Paróquia de Santo Antônio, montagem de circos e para brincadeiras da criançada. Em 1965, contratado pelo prefeito Fábio Botelho Notini, o arquiteto divinopolitano Aristides Salgado dos Santos elaborou o projeto de urbanização da Praça Benedito Valadares, com a denominação “Centro Cultural do Povo”, A obra foi inaugurada em 28 de dezembro de 1968 durante o governo do prefeito Walchir Jésus de Resende Costa.
Depois da sua criação pela Lei n.º 1.133, de 30 de dezembro de 1974, o Setor de Artes e Museu, da Divisão Cultural da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SEMEC), sancionada pelo prefeito Antônio Martins Guimarães, passou a funcionar no Centro Cultural do Povo, para onde foi transferido o Centro Histórico, constituindo-se, assim, o Centro de Artes e Museu Histórico (CAMH) até 31 de maio de 1986, quando se instalou solenemente o Museu Histórico de Divinópolis no sobrado da Praça Dom Cristiano. O Centro de Artes ali funcionou até o ano de 2001, quando foi transferido para o Espaço Cultural Capela da Santa Cruz. Esse espaço do Centro Cultural do Povo, situado no Plano Cívico, em área semi-enterrada, acolheu importantes e variadas manifestações culturais e artísticas; ali foram promovidos debates, cursos, palestras, exposições, treinamentos, sessões de cinema, shows musicais, espetáculos teatrais; além de sediar por vários anos o Cineclube Humberto Mauro, o Armazém do Artesanato e de abrigar durante quase uma década, a “Noite da Poesia”, promovida mensalmente.
O Centro Cultural do Povo foi tombado pela Lei 5.595, de 29 de abril de 2003.


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